Documento de trabalho · em atualização

IX Reunião Plenária do FISAAE · Lisboa, 4–5 de novembro de 2026

Dossiê de preparação da delegação da AIFAESA, I.P. · Última atualização: 22 de outubro de 2026

Resumo

Resumo executivo

Uma página para levar à reunião.

Documento de trabalho. As propostas, mensagens e formulações não constituem posições institucionais aprovadas até validação pela Inspetora-Geral e, quando aplicável, pela tutela. Horários e participantes do programa sujeitos a confirmação da organização.

Mensagem principal

A AIFAESA está a transformar-se numa autoridade profissional, baseada no risco, apoiada pela ciência, digital e orientada para resultados.

Cinco prioridades

1. Profissionalização dos inspetores
2. Inspeção baseada no risco
3. Capacidade laboratorial
4. Transformação digital
5. Cooperação internacional

Cinco propostas ao FISAAE

  1. Programa/Academia FISAAE de capacitação
  2. Rede de laboratórios de referência
  3. Rede de alerta e troca de informação
  4. Biblioteca digital de conhecimento
  5. Programa de intercâmbio e ações concertadas

Mensagem diferenciadora de Timor-Leste

Timor-Leste = CPLP + Sudeste Asiático
“Queremos aprender com os dois espaços e contribuir para aproximá-los.”

Momentos-chave

Data / horaMomentoObjetivo
4 nov · 12h00–13h00Sessão principal: “A Segurança Alimentar e Económica nos Países de Língua Oficial Portuguesa num mundo em mudança: Desafios e prospetivas para as Autoridades de Segurança”Principal intervenção pública da AIFAESA
4 nov · 15h00–17h00Visita aos Laboratórios da ASAEPerguntar: prioridades → pessoal → métodos → qualidade → acreditação → custos → cadeia de custódia → cooperação laboratorial
5 nov · 09h30–15h15Reunião Plenária (só membros)Influenciar o Plano de Atividades 2026–2028 com propostas concretas e realizáveis
Nota de revisão: o resumo original referia a visita aos laboratórios às 14h30–16h30; a atualização de 22/10 (Parte X) indica 15h00–17h00, aqui adotada.

Frase final

“A AIFAESA chega a Lisboa preparada para aprender, preparada para cooperar e preparada também para contribuir.”

Enquadramento

Nota introdutória

A IX Reunião Plenária do Fórum das Inspeções de Segurança Alimentar e das Atividades Económicas (FISAAE) é uma oportunidade estratégica para a AIFAESA, I.P. reforçar a presença de Timor-Leste no espaço de cooperação regulatória da CPLP, aprofundar relações com autoridades congéneres e contribuir para as prioridades do Fórum no próximo ciclo.

A reunião é particularmente importante por três razões:

  1. Transformação institucional. A AIFAESA procura evoluir de um modelo predominantemente reativo, baseado no volume de ações, para um sistema de regulação mais profissional, baseado no risco, apoiado pela ciência, digital e orientado para resultados.
  2. Novas áreas de cooperação e Plano de Atividades. Oportunidade concreta de apresentar propostas que respondam às necessidades de Timor-Leste e aos interesses comuns do espaço lusófono.
  3. Posição geográfica. Timor-Leste pode aproximar a experiência regulatória da CPLP das redes, conhecimentos e práticas do Sudeste Asiático.

A participação deve ser entendida não como presença protocolar, mas como posicionamento institucional, aprendizagem, cooperação técnica e construção de parcerias.

O FISAAE e a relevância para a AIFAESA

O FISAAE é uma plataforma de cooperação entre as autoridades responsáveis pela inspeção e fiscalização da segurança alimentar e das atividades económicas dos países de língua portuguesa. Áreas relevantes para a AIFAESA:

Dimensão histórica. Timor-Leste já exerceu responsabilidades de liderança no FISAAE e acolheu, em Díli, a passagem da Presidência para a AIFAESA em 2018. Recordar com sobriedade: Timor-Leste não é apenas beneficiário recente da cooperação do Fórum; faz parte da sua construção institucional.

Cinco objetivos da participação

1. Reforçar a presença institucional de Timor-Leste. Apresentar a AIFAESA como autoridade em consolidação, consciente dos seus desafios e empenhada numa reforma estrutural da inspeção económica, sanitária e alimentar.
2. Aprender com as autoridades mais desenvolvidas (particularmente a ASAE) em: formação e profissionalização dos inspetores; procedimentos operacionais de fiscalização; análise e classificação de risco; laboratórios; recolha e cadeia de custódia de amostras; fraude alimentar; investigação; gestão de informação; digitalização da inspeção.
3. Obter apoio para prioridades concretas. Evitar pedidos genéricos de “capacitação”. Ligar a resultados específicos: formação de formadores; desenvolvimento curricular; formação prática de inspetores; apoio laboratorial; intercâmbio de especialistas; SOP e manuais; avaliação de risco; sistemas de alerta e troca de informação; transformação digital.
4. Contribuir para o Plano de Atividades FISAAE 2026–2028. Chegar a Lisboa preparada para propor iniciativas concretas, e não apenas reagir às dos outros membros.
5. Posicionar Timor-Leste como ponte CPLP–Sudeste Asiático. Timor-Leste pertence ao espaço lusófono mas está geográfica e economicamente integrado no Sudeste Asiático — condição que pode tornar-se uma vantagem para o próprio FISAAE.

Programa e agenda

Programa revisto (22 de outubro de 2026), com base no Programa IX AR_FISAAE_Vfinal e no Dossiê de Apoio às Delegações. O programa final identifica o evento em 4 e 5 de novembro; não há atividade oficial a 6 de novembro.

Tema: “Mercados Seguros, Comércio Sustentável: O Papel da FISAAE na Nova Parceria UE-África para a Segurança Alimentar e Económica” (ou) “Segurança Alimentar e Comércio Sustentável no Espaço CPLP: Novas Pontes entre África e a União Europeia”.

Terça-feira, 3 de novembro — Chegada

Chegada, transfer para o alojamento, check-in e descanso. Testar dados móveis, confirmar endereço da CPLP e guardar o contacto da organização. Jantar simples nas imediações.

Quarta-feira, 4 de novembro — Reunião de Abertura

  • Credenciação a partir das 08h30; registo 09h00–09h30; abertura às 09h30.
  • Sessões até ao almoço (13h00–14h30).
  • 12h00–13h00 — sessão prioritária (ver abaixo).
  • Visita aos Laboratórios da ASAE: 15h00–17h00, com partida da sede da CPLP. Transporte assegurado pela organização.
  • Jantar oficial: 20h00–22h30, na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa.
Sessão prioritária — 12h00–13h00
Principal oportunidade de intervenção pública da AIFAESA. Evitar transformá-la numa enumeração de atividades. Pergunta essencial: Quais são os principais desafios enfrentados por uma autoridade de segurança alimentar e económica como a AIFAESA num mundo em mudança, como está Timor-Leste a responder, e como pode o FISAAE contribuir?

Quinta-feira, 5 de novembro — Reunião Plenária

  • Assembleia reservada aos membros, 09h30–15h15: relatório 2024–2026, passagem da Presidência, Estatutos e novos membros, cooperação e plano 2026–2028; conclusão e assinatura da ata.
  • Evento social — Palácio de Mafra, 16h00–18h00, com Festival Literário e concerto. Transporte assegurado pela organização; confirmar ponto e hora de regresso a Lisboa.

Sexta-feira, 6 de novembro — Sem programa oficial

Não consta atividade oficial no programa final nem no Dossiê de Apoio. Reservar a manhã para balanço da delegação, consolidação de notas e contactos; deixar o restante dia para visitas culturais ou reuniões bilaterais apenas se forem combinadas.

Sugestões livres: Baixa/Chiado e Praça do Comércio; Castelo de São Jorge/Alfama (subidas e calçada); ou Belém, que exige deslocação. Manter margem para descanso e preparação da partida.

Sábado, 7 de novembro — Partida

Voo às 13h35. Planeamento prudente: estar no aeroporto por volta das 10h30; sair do alojamento entre 09h30 e 10h00, ajustando ao trânsito, bagagem e instruções da companhia. Confirmar terminal, balcão de check-in e franquia de bagagem.

Programa draft original (substituído)

Mantido apenas como referência. Para efeitos logísticos, vale o programa revisto.

4 de novembro (draft)

HoraAgendaObservações
09h00–09h30Registo dos participantes
09h30–10h00Sessão de abertura com membro do Governo PortuguêsDeclarações do Presidente e Vice-Presidente do Fórum; previsto convite aos Embaixadores
10h00–10h30Estratégia Regional de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLPOrador convidado da CPLP
10h35–10h50Coffee Break e Networking
10h55–11h55Estados Observadores da CPLP e o seu Papel no âmbito da Segurança Alimentar e EconómicaOradores convidados
12h00–13h00A Segurança Alimentar e Económica nos Países de Língua Oficial Portuguesa num mundo em mudançaOradores: membros da FISAAE
13h05–14h25Almoço
14h30–16h30Visita aos Laboratórios da ASAEAtualizado: 15h00–17h00
20h00–22h30Jantar Oficial dos Membros da FISAAE

5 de novembro (draft)

HoraAgenda
09h30–10h30Relatório de execução do Plano de Atividades 2024–2026
10h35–11h05Coffee Break e Networking
11h10–11h45Passagem da Presidência e nomeação do Vice-Presidente
11h50–12h50Coffee Break e Networking
10h55–11h55Debate sobre novas áreas de cooperação; ferramentas para troca de informação e conhecimento
12h00–13h00Plano de Atividades 2026–2028; revisão dos Estatutos
13h05–14h25Almoço
14h30–15h00Conclusão e assinatura da Ata
15h00–15h30Encerramento e fotografia de família
16h00–18h00Evento social — a confirmar
O draft tinha uma incompatibilidade de horários (coffee break 11h50–12h50 sobreposto a 10h55–11h55 e 12h00–13h00). Pedir à organização a versão final consolidada.

Reunião Plenária, jantar e Mafra — o que fazer

Itinerário de voo

Cotação FIT da Jamfour Travel (Tasi Tolu, Díli · +670 78340000 · jamfourtravel@gmail.com). Horários locais de cada aeroporto. Cotação, ainda não reserva confirmada.

Preço (Economy): US$ 2.540 por pessoa. Indicativo para quatro pessoas no mesmo itinerário: US$ 10.160.

Ida — 2 a 3 de novembro

VooPartidaChegadaDuração
Aero Dili 8G 181Seg 2 nov · 09h00
DIL Díli
Seg 2 nov · 09h55
DPS Denpasar (Bali)
1h55
Espera em Denpasar: cerca de 14h30 (chegada 09h55, partida 00h25 do dia seguinte)
Emirates EK 399Ter 3 nov · 00h25
DPS · Terminal I
Ter 3 nov · 05h45
DXB Dubai · Terminal 3
9h20
Escala em Dubai: 1h40
Emirates EK 191Ter 3 nov · 07h25
DXB · Terminal 3
Ter 3 nov · 12h00
LIS Lisboa · Terminal 1
8h35

Regresso — 7 a 12 de novembro

VooPartidaChegadaDuração
Emirates EK 192Sáb 7 nov · 13h35
LIS · Terminal 1
Dom 8 nov · 01h00
DXB · Terminal 3
7h25
Escala em Dubai: 3h25
Emirates EK 356Dom 8 nov · 04h25
DXB · Terminal 3
Dom 8 nov · 15h40
CGK Jacarta (Soekarno-Hatta) · Terminal 3
8h15
Escala em Jacarta: cerca de 3h35
Garuda GA 206Dom 8 nov · 19h15
CGK · Terminal 3
Dom 8 nov · 20h35
YIA Yogyakarta
1h20
Paragem em Yogyakarta: cerca de 2 dias e 15h30 (de dom 8 a qua 11 nov)
Garuda GA 254Qua 11 nov · 12h05
YIA
Qua 11 nov · 14h40
DPS Denpasar · Terminal D
1h35
Pernoita em Denpasar: cerca de 20h
Aero Dili 8G 182Qui 12 nov · 10h35
DPS
Qui 12 nov · 13h30
DIL Díli
1h55

Pontos a esclarecer com a agência

  • Ida: a chegada a Lisboa às 12h00 de 3 nov. coincide com o plano. Já a espera de ~14h30 em Denpasar, durante a noite de 2 para 3 nov., exige decidir onde a delegação aguarda (hotel de passagem ou sala de aeroporto).
  • Regresso: o percurso depois do Dubai passa por Jacarta, Yogyakarta (cerca de 2,5 dias) e Denpasar (pernoita), com chegada a Díli só a 12 nov., cinco dias após a partida de Lisboa. Confirmar se é uma escolha deliberada (tarifa, dias livres) e como ficam alojamento, per diem e dias de ausência.
  • Verificar requisitos de entrada na Indonésia para as paragens em Bali e Yogyakarta (e se a pernoita exige sair do aeroporto).
  • Pedir à agência: bagagem incluída, validade da cotação, regras de alteração/cancelamento, tempo-limite de emissão e, se possível, a alternativa de regresso direto Lisboa–Díli pelas mesmas ligações, para comparar preço.
  • Plano logístico atual (separador Logística) assume partida de Lisboa a 7 nov. às 13h35 — coincide com o EK 192.

Briefing institucional da AIFAESA

Mensagem institucional fundamental

Não dizer: “Somos uma instituição pequena e precisamos de ajuda.”
“Somos uma autoridade jovem, com limitações institucionais reais, mas estamos a construir um novo modelo de regulação. Procuramos aprender com os nossos parceiros, contribuir com a nossa própria experiência e construir soluções conjuntamente.”

Principais desafios

Dimensão do universo regulado. Estimado em 60.000 ou mais operadores/entidades; os melhores resultados anuais de inspeção ficam abaixo de 5.000 ações, incluindo repetidas. A inspeção universal e indiferenciada não é sustentável. A passagem necessária: de “quantas inspeções realizámos?” para “quais riscos identificámos, quais priorizámos e que resultados produzimos?”.
Inspeção baseada no risco.
Registo → Classificação do risco → Planeamento → Inspeção → Amostragem/evidência → Laboratório → Decisão → Medida corretiva/sanção → Verificação → Atualização do perfil de risco.
Concentra recursos nos operadores, produtos, populações, problemas emergentes, reincidentes e setores de maior impacto potencial.
Profissionalização dos inspetores. Falta um sistema completo de educação, formação, avaliação, certificação e desenvolvimento profissional para todas as competências estatutárias. A desenvolver: quadro de competências; currículo; formação teórica e prática; inspeções supervisionadas; avaliação; certificação; formação contínua; eventual recertificação; enquadramento profissional adequado. Área particularmente apropriada para cooperação com o FISAAE.
Capacidade laboratorial. A dependência de laboratórios estrangeiros implica custos, atrasos, dificuldades logísticas, dependência externa, limitações na vigilância e dificuldade de resposta rápida. Apresentar o laboratório como parte de um sistema científico nacional de apoio à regulação, não só infraestrutura. Modelo progressivo: capacidade nacional para ensaios prioritários + rede de laboratórios de referência externos para análises especializadas.
Transformação digital. Apoiar: registo de operadores; planeamento das inspeções; formulários; evidência fotográfica; gestão documental; resultados laboratoriais; acompanhamento de infrações; análise estatística; avaliação de risco; dashboards; rastreabilidade das decisões. A tecnologia não substitui formação, governação ou julgamento profissional; serve para tornar a regulação mais consistente, transparente, rastreável e baseada em evidência.
Posição geoestratégica de Timor-Leste. Identidade lusófona (CPLP/FISAAE) e integração regional no Sudeste Asiático. Pode facilitar intercâmbio de experiências, participação de especialistas, comparação de modelos regulatórios, cooperação laboratorial, formação, informação sobre riscos do comércio regional e aprendizagem sobre cadeias de abastecimento asiáticas.
Timor-Leste pode ser simultaneamente uma porta da CPLP para o Sudeste Asiático e uma porta do Sudeste Asiático para a cooperação regulatória lusófona.

Dez mensagens fundamentais (talking points)

  1. A segurança alimentar e económica tornou-se um problema transnacional.
  2. Nenhuma autoridade consegue responder isoladamente aos novos riscos.
  3. A AIFAESA enfrenta uma diferença significativa entre o seu amplo mandato e os recursos disponíveis.
  4. O crescimento do universo regulado torna impossível depender exclusivamente da inspeção física indiferenciada.
  5. Timor-Leste pretende desenvolver um sistema de inspeção baseada no risco.
  6. A profissionalização e qualificação dos inspetores são uma prioridade estrutural.
  7. A capacidade laboratorial nacional está a ser progressivamente desenvolvida.
  8. A transformação digital deverá apoiar a gestão do risco, a rastreabilidade e a tomada de decisões.
  9. O FISAAE pode evoluir de fórum de intercâmbio para uma rede operacional de conhecimento e cooperação.
  10. Timor-Leste está preparado não só para receber cooperação, mas também para contribuir para aproximar a CPLP e o Sudeste Asiático.

Mensagem estratégica final

A AIFAESA não deve chegar ao IX FISAAE apenas para apresentar os seus problemas. Deve chegar com uma narrativa de transformação:
reconhecer os desafios → demonstrar as reformas em curso → identificar soluções → propor cooperação → oferecer contribuição própria.
Uma autoridade jovem, consciente das suas limitações, determinada a profissionalizar-se e capaz de transformar a posição singular de Timor-Leste entre a CPLP e o Sudeste Asiático numa oportunidade de cooperação para todo o FISAAE.

Intervenções da Inspetora-Geral

Rascunhos para a sessão de 4 de novembro (12h00–13h00). Sujeitos a validação.

Excelentíssimos Senhores Presidentes e dirigentes das Autoridades membros do FISAAE,
Distintos representantes da CPLP,
Caros colegas,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

É uma honra representar Timor-Leste e a Autoridade de Inspeção e Fiscalização da Atividade Económica, Sanitária e Alimentar — AIFAESA, I.P. — nesta IX Reunião Plenária do FISAAE.

Permitam-me começar por agradecer às autoridades portuguesas e, em particular, à ASAE, pelo acolhimento e pela oportunidade de voltarmos a reunir esta comunidade de autoridades que partilha uma língua, mas sobretudo responsabilidades comuns perante os nossos cidadãos.

O tema desta sessão convida-nos a refletir sobre os desafios das autoridades de segurança alimentar e económica num mundo em mudança.

Para a AIFAESA, esta questão é particularmente relevante.

O mundo que fiscalizamos hoje já não é o mesmo mundo para o qual muitos dos nossos modelos de inspeção foram originalmente concebidos.

Os produtos atravessam fronteiras com rapidez crescente. As cadeias de abastecimento tornam-se mais complexas. O comércio eletrónico altera a relação entre vendedor, produto e consumidor. A fraude pode atravessar vários países antes de ser detetada. Os riscos sanitários não respeitam fronteiras administrativas.

Ao mesmo tempo, as expectativas dos cidadãos aumentaram.

Esperam que as autoridades protejam a sua saúde, os seus direitos enquanto consumidores e a justiça dos mercados.

Em Timor-Leste, enfrentamos ainda um desafio adicional: a diferença entre a amplitude do mandato da AIFAESA e a capacidade institucional disponível para o executar de forma uniforme em todo o território.

Temos um universo regulado muito amplo e em crescimento. Não é possível, nem seria necessariamente eficiente, tentar fiscalizar todos os operadores com a mesma frequência e intensidade.

Esta realidade obrigou-nos a colocar uma questão fundamental:

devemos continuar a medir o sucesso apenas pelo número de inspeções realizadas, ou devemos medir sobretudo os riscos que conseguimos reduzir e os resultados que conseguimos produzir?

A nossa resposta é clara.

A AIFAESA pretende evoluir progressivamente para um modelo de regulação e inspeção baseado no risco e na evidência.

Isto significa identificar os riscos, classificá-los, concentrar os recursos onde o potencial de dano é maior e avaliar os resultados das nossas intervenções.

Mas um sistema baseado no risco necessita de pessoas qualificadas.

Por isso, uma segunda prioridade fundamental para Timor-Leste é a profissionalização dos inspetores.

Precisamos de desenvolver competências estruturadas, formação teórica e prática, avaliação, inspeções supervisionadas, certificação e formação contínua.

É precisamente nesta área que o FISAAE pode produzir um enorme valor coletivo.

Os nossos países possuem diferentes níveis de desenvolvimento institucional, mas enfrentamos muitos problemas semelhantes.

Em vez de cada autoridade desenvolver isoladamente todos os seus materiais, poderíamos criar mecanismos de formação conjunta, programas de formação de formadores, intercâmbio de inspetores e uma biblioteca técnica partilhada de procedimentos, casos e materiais de aprendizagem.

Uma terceira prioridade é a capacidade científica e laboratorial.

Timor-Leste ainda depende de laboratórios estrangeiros para vários ensaios relevantes. Estamos a desenvolver progressivamente capacidade nacional, mas sabemos que nenhum laboratório precisa de realizar todos os testes possíveis.

Precisamos de pensar em redes.

Uma rede FISAAE de laboratórios e instituições de referência poderia permitir identificar capacidades existentes, facilitar consultas técnicas, promover formação e, quando necessário, encaminhar análises especializadas para instituições com capacidade adequada.

Uma quarta área é a transformação digital.

A digitalização pode ajudar-nos a conhecer melhor o universo regulado, selecionar operadores de maior risco, recolher dados de forma padronizada, preservar evidências, acompanhar processos e produzir informação para a tomada de decisão.

Mas a digitalização não deve significar apenas transformar papel em formulários eletrónicos.

Deve transformar a forma como utilizamos a informação.

Finalmente, gostaria de destacar uma dimensão particular de Timor-Leste.

Somos um país de língua portuguesa situado no Sudeste Asiático.

A nossa história e identidade ligam-nos profundamente ao espaço da CPLP. A nossa geografia e integração regional ligam-nos simultaneamente à Ásia.

Esta posição oferece-nos uma oportunidade.

Timor-Leste pode contribuir para criar novas pontes entre a experiência regulatória dos países lusófonos e as experiências das autoridades do Sudeste Asiático.

Podemos aprender com ambos os espaços e, progressivamente, ajudar a aproximá-los.

Por isso, a AIFAESA gostaria de ver o próximo ciclo do FISAAE reforçar cinco áreas:

primeiro, formação e profissionalização dos inspetores;
segundo, cooperação laboratorial e científica;
terceiro, sistemas de inspeção baseados no risco;
quarto, mecanismos rápidos e seguros de troca de informação sobre riscos e fraude;
e quinto, transformação digital e partilha estruturada de conhecimento.

Caros colegas,

o maior recurso do FISAAE talvez não esteja apenas nas instituições que o constituem.

Está no conhecimento acumulado por todas elas.

O nosso desafio é transformar esse conhecimento disperso numa capacidade coletiva.

A AIFAESA chega a Lisboa preparada para aprender, preparada para cooperar e preparada também para contribuir.

Porque mercados seguros e alimentos seguros não se constroem apenas através da fiscalização.

Constroem-se através da confiança, da competência, da ciência, da informação e, sobretudo, da cooperação.

Muito obrigado.

Excelências, caros colegas,

Para a AIFAESA, o principal desafio da segurança alimentar e económica em Timor-Leste pode ser resumido numa diferença: a diferença entre a dimensão crescente das nossas responsabilidades e os recursos disponíveis para lhes responder.

Esta realidade leva-nos a abandonar progressivamente a ideia de que o sucesso de uma autoridade se mede apenas pelo número de inspeções realizadas.

Queremos avançar para um modelo baseado no risco e na evidência: identificar onde o risco é maior, concentrar aí os nossos recursos e avaliar os resultados obtidos.

Para isso, identificámos quatro prioridades.

A primeira é a profissionalização dos inspetores, através de formação estruturada, prática supervisionada, avaliação e desenvolvimento contínuo de competências.

A segunda é o desenvolvimento progressivo da capacidade científica e laboratorial, complementada por redes de laboratórios de referência.

A terceira é a transformação digital, não apenas para substituir papel, mas para transformar dados em conhecimento e conhecimento em melhores decisões.

A quarta é a cooperação internacional.

Nenhum dos nossos países consegue responder sozinho a cadeias de abastecimento internacionais, fraude alimentar, comércio eletrónico ou riscos emergentes.

Por isso, propomos que o próximo ciclo do FISAAE dê prioridade à formação conjunta, cooperação laboratorial, inspeção baseada no risco e criação de mecanismos mais rápidos de troca de informação e conhecimento.

Timor-Leste possui ainda uma característica particular: somos um país lusófono situado no Sudeste Asiático.

Queremos utilizar essa posição para aprender com os dois espaços e, sempre que possível, ajudar a aproximá-los.

A AIFAESA está aqui para aprender, para cooperar e também para contribuir.

Muito obrigado.

Propostas da AIFAESA para o FISAAE 2026–2028

Material preparatório; não são posições institucionais aprovadas.

Proposta 1 — Academia / Programa de Capacitação FISAAE

Programa plurianual de formação para inspetores e técnicos. Módulos possíveis: fundamentos de inspeção; avaliação de risco; segurança alimentar; HACCP; amostragem; cadeia de custódia; fraude alimentar; investigação; rotulagem; proteção do consumidor; comércio eletrónico; comunicação de risco; gestão de evidências; auditoria; ética e integridade.

Modelo: formação online + presencial + prática + formação de formadores.

Proposta 2 — Rede FISAAE de Laboratórios de Referência

Mapear laboratórios disponíveis, ensaios realizados, equipamentos, áreas de especialização, requisitos de receção de amostras e pontos de contacto.

Não construir capacidade duplicada em todos os países, mas saber quem pode fazer o quê, onde e em que condições.

Proposta 3 — Rede de Alerta e Informação FISAAE

Mecanismo seguro para circulação de alertas sobre: alimentos perigosos; produtos não conformes; fraude; contrafação; operadores reincidentes com atividade transfronteiriça; riscos emergentes; recolhas; novos padrões de infração. Não reproduzir de imediato sistemas internacionais complexos, mas criar um mecanismo funcional adaptado às capacidades dos membros.

Proposta 4 — Biblioteca Digital FISAAE

Repositório comum, quando juridicamente possível: SOP; modelos de checklist; materiais de formação; estudos de caso; guias técnicos; modelos de avaliação de risco; materiais de comunicação ao consumidor; referências legislativas; experiências de digitalização; lições aprendidas.

Proposta 5 — Programa de Intercâmbio de Inspetores

Missões técnicas curtas, orientadas a competências específicas. Exemplos: inspetores da AIFAESA a acompanhar operações da ASAE; técnicos laboratoriais em estágio num laboratório de referência; especialistas de outros membros a acompanhar equipas em Timor-Leste; missões conjuntas em áreas prioritárias.

Proposta 6 — Ação Concertada FISAAE

Retomar ou reforçar ações concertadas periódicas: todos os membros fiscalizam, num período definido, o mesmo setor ou risco e comparam metodologia, não conformidades, resultados, dificuldades, medidas e lições aprendidas. Temas possíveis: restauração; rotulagem; suplementos alimentares; comércio eletrónico; produtos importados; higiene alimentar; fraude alimentar.

A refinar: o resumo fala em cinco propostas (a 5.ª agrega intercâmbio e ações concertadas), enquanto o corpo tem seis. Decidir apresentação final.

Prioridades bilaterais com a ASAE e visita aos laboratórios

Visita aos Laboratórios da ASAE: 4 nov, 15h00–17h00. Transporte pela organização, a partir da sede da CPLP; seguir o ponto de encontro e as instruções fornecidas.

Endereço publicado do Laboratório de Segurança Alimentar: Estrada do Paço do Lumiar, 22, Campus do IAPMEI, Edifício F, 1.º andar, Lisboa. A visita não deve ser meramente protocolar: perceber como a capacidade laboratorial se liga à fiscalização e à decisão regulatória.
Pergunta estratégica: Se a ASAE estivesse hoje a aconselhar uma autoridade pequena, com recursos limitados, a desenvolver capacidade laboratorial de raiz, quais seriam as primeiras cinco capacidades que recomendaria construir?

O que observar

  1. Mandato e prioridades: riscos e produtos analisados; o que é feito internamente e o que é enviado a laboratórios externos.
  2. Percurso da amostra: recolha, selagem, identificação, transporte, receção, critérios de aceitação/rejeição, armazenamento, rastreabilidade/cadeia de custódia.
  3. Capacidade técnica: áreas de ensaio, métodos, equipamentos, competências do pessoal, calibração e manutenção.
  4. Qualidade e fiabilidade: validação/verificação de métodos, controlos, ensaios de proficiência, acreditação (âmbito ISO/IEC 17025), tratamento de não conformidades.
  5. Ligação à fiscalização: como os resultados apoiam inspeções, avaliação de risco, medidas corretivas, alertas, recolhas ou processos sancionatórios; prazos para resultados urgentes.
  6. Sustentabilidade: custos recorrentes, reagentes, manutenção, formação, volume de amostras, dependência de fornecedores ou laboratórios externos.

Perguntas úteis

O que registar

Para cada tema: prática observada; requisitos de pessoal/equipamento; custo ou condição necessária; aplicabilidade à AIFAESA; possível parceiro; próximo passo, responsável e prazo. Distinguir o observado do explicado verbalmente. Pedir autorização antes de fotografar instalações; não registar informação confidencial.

Formação dos inspetores

A ASAE tem experiência institucional relevante. Explorar cooperação em: currículo; formação de formadores; avaliação de competências; formação prática; acompanhamento de inspeções; materiais técnicos; procedimentos documentados; eventual apoio ao desenho do sistema de certificação da AIFAESA.

Questões possíveis e respostas sugeridas

Qual é atualmente o maior desafio da AIFAESA?

O maior desafio não é a ausência de mandato, mas a diferença entre a amplitude desse mandato e a capacidade institucional disponível para o executar de forma consistente em todo o território. Por isso estamos a priorizar profissionalização, inspeção baseada no risco, capacidade laboratorial e digitalização.

Porque não aumentar simplesmente o número de inspeções?

Porque o universo regulado cresce e os recursos são necessariamente limitados. Aumentar inspeções continua a ser importante, mas não resolve estruturalmente o problema. É necessário selecionar melhor onde, quando e porquê inspecionar.

Que tipo de apoio pretende a AIFAESA do FISAAE?

Preferimos cooperação ligada a resultados concretos: formação de formadores, desenvolvimento de competências dos inspetores, apoio laboratorial, intercâmbio técnico, metodologias de avaliação de risco, procedimentos e mecanismos de troca de informação.

O laboratório da AIFAESA pretende realizar todos os testes?

Não. O objetivo deverá ser desenvolver capacidade nacional sustentável para análises prioritárias e manter acesso a laboratórios de referência para ensaios especializados.

O que pode Timor-Leste oferecer ao FISAAE?

Além da nossa própria experiência enquanto pequena autoridade em transformação, Timor-Leste pode contribuir para aproximar o espaço regulatório lusófono das redes e experiências do Sudeste Asiático.

Plano operacional de viagem

Atualizado em 22 de outubro de 2026. Substitui, para efeitos logísticos, os horários preliminares e notas de alojamento anteriores.

Dados da deslocação

  • Delegação: quatro pessoas (três mulheres e um homem). A participação do representante da Secção de Informação Pública foi cancelada.
  • Chegada a Lisboa: 3 de novembro de 2026 (a data de 2 nov. inicial já não é a prevista).
  • Partida de Lisboa: 7 de novembro, 13h35.
  • Alojamento a cotar: quatro noites, de 3 para 7 de novembro (check-out a 7). Confirmar cotações para estas datas e quatro hóspedes.
  • Per diem: cerca de US$ 300 por pessoa/dia (US$ 1.200/dia para o grupo). A organização cobre almoços de trabalho, jantar oficial e transporte para a visita aos laboratórios e para Mafra. A delegação suporta alojamento, voos e restantes refeições e despesas.

Alojamento em avaliação

Distâncias estimadas a pé até à sede da CPLP (Rua de São Mamede, nº 21); o percurso exato depende da entrada do hotel e do trajeto. Há calçada, declives e escadas — verificar o itinerário quando a reserva estiver decidida.

AlojamentoDistância / tempo a péObservação para decidir
The 8 – Downtown Suites0,4–0,5 km · 5–7 minMuito central; comparar tamanho das unidades e configuração para três mulheres e um homem.
Hotel Riverside Alfama0,5–0,6 km · 7–9 minPerto do rio e da Praça do Comércio; confirmar quartos, ruído e pequeno-almoço incluído.
Vincci Baixa0,6–0,8 km · 9–11 minHotel de cidade na Baixa; comparar preço total e política de cancelamento.
Pousada de Lisboa0,8–1,0 km · 11–14 minJunto à Praça do Comércio; categoria superior, sujeita a preço e distribuição de quartos.
City INN0,8–1,0 km · 12–15 minMais a norte (zona da Rua dos Cavaleiros); confirmar configuração dos quartos e trajeto com bagagem.
Recomendação prática: todos parecem viáveis a pé. Decidir sobretudo por preço final para quatro noites, qualidade/configuração dos quartos e condições de cancelamento. Pedir cotação para (a) quarto triplo para as três mulheres + individual para o homem; (b) quatro individuais ou duas unidades duplas/twin. Comparar preço total com impostos, pequeno-almoço, cancelamento e hora de check-in.
Pendente: ainda se aguardam as respostas aos pedidos de cotação enviados.

Transporte do aeroporto para o alojamento

O Aeroporto Humberto Delgado fica relativamente perto do centro. Para quatro pessoas, depende da bagagem e do cansaço.

OpçãoComo usarAdequação ao grupo
Táxi oficialFila sinalizada junto às chegadas; taxímetro ligado e recibo. A ANA indica como referência €10–15 até ao centro, sujeito a trânsito e suplementos de bagagem.Direto e simples. Confirmar se um veículo acomoda quatro pessoas e malas; se não, viatura maior ou dois táxis.
Uber / Bolt (TVDE)Pedir pela app e seguir até à zona dedicada no P2, piso 2, nível das chegadas. Não aceitar ofertas de quem aborde passageiros no terminal.Comparar preço no momento; escolher veículo com capacidade para bagagem ou pedir dois.
MetroLinha Vermelha do Aeroporto até Alameda; Linha Verde para Martim Moniz ou Rossio, depois a pé. Funciona normalmente 06h30–01h00. Contactless €1,92/viagem; cada passageiro precisa do seu próprio cartão/dispositivo.Mais económico, mas menos cómodo com malas e mudança de linha. Adequado com pouca bagagem e descansados.

Sugestão: comparar na app uma viatura grande com duas; se a diferença for pequena, escolher a opção direta. Confirmar sempre endereço exato do hotel e ponto de recolha.

SIM cards e internet móvel

  • Mais simples: comprar um eSIM antes de viajar, se os telemóveis estiverem desbloqueados e compatíveis. A Vodafone Portugal anuncia eSIM de dados com 10 GB válidos por 7 dias, sem chamadas/SMS. Rever preço, ativação e validade antes da compra.
  • Alternativa: SIM pré-pago numa loja Vodafone, MEO ou NOS em Lisboa; confirmar horário e documentos necessários.
  • Para quatro pessoas, mais fiável cada uma ter os seus dados; mínimo duas ligações independentes. Hotspot partilhado falha quando o grupo se separa e gasta bateria.
  • Manter o SIM habitual para chamadas/códigos bancários, mas definir o eSIM/SIM português como linha de dados e desativar o roaming de dados no SIM habitual. O eSIM referido não inclui voz nem SMS.
  • Há Wi-Fi na sede da CPLP; não depender dele para navegação nos trajetos.

Checklist de preparação

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Antes da partida — confirmar

Documentos a levar

Bagagem e equipamento

Natureza do documento e pontos em aberto

Três categorias de informação

  1. Programa Draft da IX Reunião Plenária — datas, sessões, horários e temas, sujeitos a confirmação da organização.
  2. Informação institucional e diagnóstico da AIFAESA — baseada nos documentos institucionais e materiais de planeamento disponíveis em 2026.
  3. Recomendações de preparação e propostas de posição — propostas de cooperação, mensagens estratégicas, talking points e formulações diplomáticas; material preparatório, não aprovado até validação pela Inspetora-Geral e, quando aplicável, pela tutela.

Pontos em aberto (para melhorar nos próximos dias)